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Sem saber que era impossível, foi lá e fez.

No final do jogo o que inspira são as pessoas

 Estamos em 2017, onde a todo instante se fala de tecnologia, inteligência artificial e a substituição do homem pela máquina nas mais diversas profissões. Algumas dessas, provavelmente reais e verdadeiras, algumas já presentes nos nossos dias e algumas futurísticas.

Enquanto outras, mero fruto da imaginação do homem (ser humano). No mundo do direito, é o ano do “robô” americano ROSS, capaz de opinar instantaneamente se uma decisão de treze anos atrás pode ser relevante para o caso que está sendo julgado no momento. É também o ano das estatísticas, da inovação, da colaboração, da inovação, da organização, da agilidade e assim por diante. Seria o ano da diferença por mecanismos outros.

 

                                         

 

De qualquer sorte, em um ano em que tantos avanços e propostas são feitas, o 2017 dos esportes já nos demonstrou de forma simples e objetiva que, no final do dia, ainda são as pessoas que fazem a diferença. Uma vez mais, que o diga Rafael Nadal em sua final épica para o todo poderoso Roger Federer. E que digam os admiradores do “Super Bowl” em mais uma demonstração magistral de Tom Brady, com uma pitadinha de Lady Gaga no intervalo.

Verdadeiramente, não lembro o dia em que comecei a jogar tênis. Não me recordo do dia em que virei fã incondicional de Rafael Nadal. Lembro remotamente dos gloriosos dias de Pete Sampras, e do grande dia em que Guga Kuerten, nosso “manezinho da ilha”, conquistou a França e mostrou que força, garra, disciplina, treinamento, e muita, muita dedicação dentre diversos outros adjetivos e necessidades podem levar um talento a alçar voos por vezes inimagináveis. Anos depois, quem diria, mais de hora para um autógrafo no livro e uma foto para a posteridade. Valeu, Guga!

Do futebol, lembro de ir a campo aos domingos com meu pai ver o time que sou fã jogar, sim fã, pois não faço a mínima ideia de quando minha paixão pelo meu time do coração (Boca Juniors) e meu primeiro ídolo do futebol ‘El Loco Gatti’ começou ‘El loco Hugo Gatti’, en el arco de mi cuadro, el que estaba es um cantor, ¡dale Boca, viva Boca el cuadrito de mi amor!

Lembro, no entanto, do meu primeiro jogo de futebol na escolinha de futebol, do famoso campinho de grama nos cantos e areia no centro, o famoso “carecão”, da comemoração do meu mais bonito gol, e dos palavrões “do bem” (se é que pode existir) pelos erros cometidos. Ao final, já estava lá, entre os ditos selecionados ... ah, os tempos da infância e suas recordações, nos campinhos, nos campos de futebol no paralelepípedo, nas areias da praia, das goleirinhas de chinelos havaianas, das canelas roxas e dos dedos destroncados, sim, goleiro era coisa rara, e eu adorava ir para o gol. Vai entender as crianças!

Lembro que muito cedo tinha um quadro de Ayrton Senna (na Lotus Camel Amarelinha) no meu quarto, e adorava muito mais os jogos do GT e Speed do que qualquer Fifa dos dias atuais. Ah, Ayrton ... milagres acontecem, pensei comigo, ao noticiarem a morte cerebral do meu ídolo. Não podia ser verdade, haveria de estar sonhando. Infelizmente, não. No mundo das máquinas, ainda era o piloto que comandava o show, que emocionava, que subia ao pódio, que erguia a bandeira do Brasil. Que nos fazia vibrar, pular, chorar, enfim, emocionar.

Ah, as emoções do esporte, vivido, conquistado e derrotado por homens, seres humanos na verdadeira acepção da palavra.
E o Super Bowl, madrugada de domingo para segunda. Quase dez anos depois, ainda lembro de quando assisti ainda em San Diego, CA, o meu primeiro Super Bowl ao lado de americanos, brasileiros e espanhóis e ouvir, em momentos nem tão desafiadores como o do último jogo, um amigo americano me perguntar por não sei quantas vezes: “Do you know this guy? / Do you know who is this guy?” – referindo-se ao Quarter Back Tom Brady. Sim, há quase dez anos atrás (Super Bowl XLII) Tom Brady não realizou o impossível, talvez por ser ainda um jovem talentoso, mas ainda em formação, e Gisele não cumpriu sua promessa de desfilar como veio ao mundo em plena Manhattan. Coisas da vida e do esporte.

Em fevereiro de 2008, o New England Patriots perdeu o Super Bowl, mas Tom Brady não perdeu a sua magia. Aos amantes do tênis, na mesma época, um pouco antes, apenas, em agosto de 2007, pela primeira vez Djokovic vencia a Roger Federer em uma final de Master 1000. Não que eu fosse o maior fã de Roger Federer à época, suas vitórias me pareciam muito fáceis, mas a partir daquele momento, virei seu fã, afinal ele não era imbatível, ainda que a preferência continuasse até os dias atuais por Rafael Nadal e da magistral ‘esquerdinha | back hand’ de Guga Kuerten. Vai, cavalo (quem leu a Biografia do Guga vai entender).

E então, por anos a fio, Roger Federer deixou de ser Roger Federer o imbatível. E Tom Brady, por mais conquistas e recordes que acumulava, seguia contestado e sua integridade questionada pela famosa bola murcha da final de conferência em 2015.

E então, chegamos em 2017, com a final dos sonhos
Australian Open “Jovens” guerreiros em quadra, Roger Federer e Rafael Nadal. E a vitória do R18, Roger Federer. Ah, os segredos dos super-heróis. No auge de sua humildade, perguntou à família se deveria parar, se aposentar e ouviu um sonoro recado, mas sem ganhar mais um Grand Slam?! No way…go ahead. Thanks God, Thanks Roger’s Family. Thanks, R(1)8.

E então, chegamos a 2017, e Tom Brady, aquele mesmo de quase dez anos atrás, em final épica, memorável e inacreditável, simplesmente apaga com todos os recordes da NFL. Segredos, provavelmente muitos. Públicos, alguns deles, como por exemplo nos idos de 2009, quando de férias em visita à Horizontina “deixou” Gisele dormindo e foi ao ginásio treinar, em plenas férias. Ah, os segredos da profissão.

Quer saber o que exemplo de ser humano, pessoal e profissional significa? Preste atenção em Roger Federer e Tom Brady.
Roger Federer, e não poderia deixar de falar em Rafael Nadal, em suas horas vagas, assistem e estudam tênis. Tom Brady, em momento algum, no mais desafiador dos momentos, deixou de acreditar, de estudar o jogo analisar as jogadas, escutando seus treinadores, e liderando sua equipe. Homem, ser humano, pessoas, tecnologia, estatísticas, em perfeita harmonia, isto é Moneyball!

Against all odds, jamais desistiram, em momento algum, baixaram a guarda, olhos fixos para seus objetivos, para seus estudos, para suas estatísticas, para suas metas, para suas conquistas, pensamento sistêmico. Inspiraram, lideraram, encantaram. Conquistas épicas, grandiosas. Jogaram e escreveram a história.

E por todos avanços que nos façam viver melhor, por toda harmonia entre homem, máquina e tecnologia, at the end of the day, at the end of the game, o que inspira de verdade, o que emociona, o que lidera, o que verdadeiramente nos faz vibrar, cantar, sorrir e chorar, são as pessoas!!! Way to go, Roger. Way to go, Tom Brady.

Thiago Breyer


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